O que é tumor cardíaco
Os tumores cardíacos primários são extremamente raros, com incidência menor que 0,1%. São neoplasias benignas ou malignas que se originam dos tecidos cardíacos de revestimento interno, da camada muscular ou do pericárdio.
Já os tumores cardíacos secundários ou metastáticos são sempre malignos, mais comuns que os primários malignos e se espalharam de outro lugar do corpo para o coração. O mais comum é que tenham sido primários no pulmão, na mama, no rim, em partes moles (sarcomas), no sangue (leucemias), tecido linfático (linfomas) ou na pele (melanomas). Os cânceres que afetam o tórax, como de pulmão ou de mama, podem chegar ao coração por invasão direta, frequentemente na membrana que circunda o coração (o pericárdio). Outros cânceres também podem chegar ao músculo cardíaco pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático.
A menor parte dos tumores cardíacos é maligna: 25%, enquanto 75% dos casos são tumores cardíacos benignos.
Subtipos de tumores cardíacos primários benignos
- Mixoma – é o mais comum, responsável por 50% de todos os tumores cardíacos primários. É de duas a quatro vezes mais frequente em mulheres do que em homens. Aproximadamente 75% dos mixomas surgem no átrio esquerdo, e o restante ocorre em outras câmaras cardíacas, como um tumor solitário ou (com menos frequência) em vários pontos. Seu diâmetro pode chegar a 15 cm³ e a célula que pode dar origem a ele é desconhecida;
- Fibroelastoma papilar – são papilomas avasculares que ocorrem nas valvas cardíacas em mais de 80% dos casos e são mais frequentes no lado esquerdo do coração;
- Rabdomioma – tumor cardíaco mais comum em lactentes e crianças, representando 60% dos casos. Geralmente são tumores múltiplos. Existe uma relação muito próxima entre rabdomiomas e esclerose tuberosa: a esclerose é reportada em até 80% dos casos de pacientes com esse tumor, e o tumor é detectado em até 72% dos casos de pacientes que previamente haviam sido diagnosticados com esclerose tuberosa;
- Fibroma – também é mais frequente em crianças e normalmente é um tumor solitário. Seu diâmetro pode chegar a 10 cm;
- Hemangioma – extremamente raro, com diâmetro de 2 a 4 cm e pode regredir espontaneamente, embora em crianças sua evolução possa ser desfavorável;
- Lipoma – exclusivo dos adultos, mas em uma faixa etária bem ampla. Pode evoluir para o desencadeamento de arritmias.
Subtipos de tumores cardíacos primários malignos
- Angiossarcoma – tumor que ocorre predominantemente no sexo masculino e se localiza principalmente no átrio direito (80% dos casos). Pode causar metástases na pleura, no mediastino e nos pulmões;
- Rabdomiossarcoma – manifesta-se em homens adultos, tem origem no músculo estriado e afeta quaisquer das câmaras cardíacas;
- Mesotelioma pericárdico – raro, afeta todas as faixas etárias, mais comumente homens do que mulheres. Pode enviar metástases para espinha, tecidos moles adjacentes e cérebro;
- Linfoma – extremamente raro, geralmente ocorre em pacientes com HIV ou outras doenças que levem à imunodeficiência.
Subtipos de tumores cardíacos metastáticos (malignos)
- Melanoma – a razão é desconhecida, mas o melanoma tem predileção por metástases cardíacas: metade dos casos de melanoma disseminado pelo corpo apresenta depósitos no tecido cardíaco em achados de autópsia;
- Carcinoma pulmonar e de mama – são as fontes mais comuns de metástase para o coração, podendo se espalhar para o pericárdio e causar derrames pericárdicos;
- Leucemia – quando acontece uma metástase de leucemia, ela geralmente é no coração, silenciosa e algumas vezes com grandes depósitos e derrame pericárdico hemorrágico;
- Linfoma – também tem a metástase geralmente direcionada para o coração de forma assintomática, formando pequenas massas intramiocárdicas.
Sintomas e sinais de tumor cardíaco
Os sintomas de tumores cardíacos malignos são essencialmente os mesmos dos tumores cardíacos benignos, sendo que os malignos tendem a se agravar com mais rapidez, uma vez que crescem com mais velocidade.
Em geral, os sintomas incluem:
- Desenvolvimento repentino de insuficiência cardíaca (com falta de ar e fadiga);
- Arritmia cardíaca (causando palpitações, fraqueza ou desmaios);
- Sangramento e acúmulo de líquido no pericárdio (o que pode interferir no funcionamento do coração e causar tamponamento cardíaco).
Nos tumores cardíacos metastáticos, ocorrem paralelamente sintomas do tumor original e das metástases. Por exemplo: um câncer de pulmão com metástase no coração pode ter como sintomas dificuldade para respirar, fadiga e tosse com sangue.
Os sintomas mais específicos dependem do tipo de tumor, sua localização, tamanho e fragilidade.
Diagnóstico de tumor cardíaco
Diante de sintomas que levantem a desconfiança de um médico especialista, o diagnóstico de tumores cardíacos é feito por exames de imagem: ecocardiografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada.
A ecocardiografia é o exame que confirma o diagnóstico. O ETE (ecocardiograma transesofágico) é melhor para a visualização de tumores atriais, ao passo em que a ecocardiografia transtorácica funciona melhor para detectar tumores ventriculares.
A ressonância magnética cardíaca é utilizada para identificar as características dos tecidos tumorais e, assim, encontrar pistas sobre o tipo de tumor.
Já a tomografia computadorizada cardíaca contrastada pode fornecer informações detalhadas, com resolução espacial superior.
Não se costuma realizar biópsia em tumores cardíacos, porque os exames de imagem conseguem diferenciar os benignos dos malignos. Além disso, em uma biópsia de tumor cardíaco há o risco de disseminação não intencional de células neoplásicas em pacientes com tumor primário maligno. Na suspeita do tumor primário, dá-se preferência à cirurgia em relação à biópsia.
Para tumores cardíacos metastáticos, são feitos exames adicionais para encontrar o câncer original (a menos que sua localização já seja conhecida).
Tratamento de tumores cardíacos
Tumores cardíacos primários benignos costumam ser tratados com a excisão cirúrgica – o procedimento só não é realizado caso outra doença contraindique a cirurgia. A exceção fica por conta do rabdomioma, que em sua maioria regride espontaneamente e não requer tratamento.
O tratamento de tumores cardíacos primários malignos geralmente é paliativo (radioterapia, quimioterapia e cuidados com as complicações, por exemplo), uma vez que o prognóstico é reservado, ou seja, a probabilidade de melhora ou cura é pequena.
Para tumores cardíacos metastáticos, o tratamento depende da origem e do tipo do tumor. Pode incluir quimioterapia sistêmica ou terapia paliativa, e o prognóstico também é reservado.
Prevenção de tumor cardíaco
Como não há fatores de risco associados aos tumores cardíacos, não é possível prevenir seu desenvolvimento.