Tipos de câncer

Peritônio

O câncer no peritônio é um tipo de tumor raro e que pode se desenvolver ao longo de toda a membrana, presente no intestino, fígado, estômago e ovários, entre outros. Esse câncer atinge quase exclusivamente mulheres pós-menopáusicas. Saiba mais.
5 min de leitura
por: Rodolfo Teixera
Peritônio
O câncer no peritônio atinge quase exclusivamente mulheres pós-menopáusicas.

O que é o câncer de peritônio

O peritônio é a maior membrana do corpo: reveste o interior do abdômen, abrangendo e protegendo todos os órgãos nele contidos (intestino, fígado, estômago e ovários, entre outros). Formado por células epiteliais, o peritônio produz um fluido que ajuda os órgãos a se moverem suavemente dentro do abdômen. O câncer de peritônio é raro e não é o mesmo que câncer intestinal ou de estômago. Também não deve ser confundido com cânceres que se espalham para o peritônio.

Em sua maior parte, começa na parte inferior do abdômen, conhecida como pélvis, onde se localizam os ovários. Por esta razão, o câncer primário de peritônio e o câncer de ovário se comportam de forma muito semelhantes e são tratados, na maioria das vezes, da mesma maneira.

Esse tipo de câncer atinge quase que exclusivamente mulheres pós-menopáusicas (cerca de 70% das mulheres são diagnosticadas em idades avançadas). O câncer peritoneal pode ocorrer em qualquer parte do espaço abdominal.

Subtipos de câncer de peritônio

Este tipo de neoplasia pode ser primário ou secundário, designações que se referem ao local de início do câncer e não tem relação com a gravidade.

  • Primário – o câncer peritoneal primário começa e se desenvolve no peritônio, afetando principalmente mulheres. Em homens é raro. O câncer peritoneal primário está intimamente relacionado ao câncer epitelial de ovário;
  • Secundário – o câncer peritoneal secundário começa em outro órgão no abdômen e, em seguida, se espalha para o peritônio. Normalmente, começa em ovários, trompas de Falópio, bexiga, estômago, intestino delgado, cólon, reto ou apêndice. Pode afetar homens e mulheres e é mais comum do que o primário.

Estima-se que entre 15% e 20% das pessoas com câncer colorretal desenvolverão metástases no peritônio, ao passo que de 10% a 15% dos pacientes com câncer de estômago tendem a se espalhar até o peritônio.

Sintomas e sinais do câncer de peritônio

Os sintomas do câncer de peritônio são vagos e, quando ocorrem, a doença já progrediu. Muitos dos seguintes sinais são causados ​​pelo acúmulo de líquido (ascite) no abdômen:

  • Desconforto abdominal (indigestão, pressão, inchaço ou cólicas);
  • Sensação de saciedade mesmo após uma refeição leve;
  • Náusea ou diarreia;
  • Constipação;
  • Micção frequente;
  • Perda de apetite;
  • Ganho ou perda de peso inexplicável;
  • Sangramento vaginal;
  • Sangramento retal;
  • Falta de ar;
  • Aumento do volume abdominal.

Diagnóstico do câncer de peritônio

Pode ser difícil detectar o câncer peritoneal nos estágios iniciais. Frequentemente, ele só é encontrado durante a cirurgia para remover um tumor conhecido em outra parte do abdômen.

Após o exame clínico, o médico irá solicitar uma série de exames para definir um diagnóstico. Os principais são:

  • Exames de imagem – são úteis na avaliação de pacientes com sintomas sugestivos de carcinomatose peritoneal. A tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdômen e da pelve pode confirmar a presença de doença nova ou recorrente no peritônio. Também são feitos para avaliar a extensão da doença no abdômen. O PET Scan também pode ser feito para determinar se a doença se espalhou para fora da cavidade abdominal, como os pulmões;
  • Laparoscopia / Biópsia – A laparoscopia é realizada para confirmar o diagnóstico e determinar se um paciente é candidato à cirurgia. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo onde, por meio de pequenas incisões, amostras do tumor são retiradas e encaminhadas ao patologista para confirmação do diagnóstico (biópsia). O fluido da cavidade abdominal também pode ser coletado para verificar a presença de células cancerosas.  O procedimento é útil para avaliar a extensão da doença na cavidade peritoneal; e
  • Exames laboratoriais – podem ser feitos exames de sangue para procurar substâncias que podem estar elevadas no câncer peritoneal, como o CA 125. Se os níveis estiverem altos, pode haver câncer peritoneal ou de ovário. Como o CA-125 pode estar alto por outros motivos o exame de sangue isoladamente não confirma o diagnóstico. Um outro marcador tumoral mais recente considerado nos exames é o HE4, que ainda é pouco utilizado.

Tratamento

A decisão sobre o melhor tratamento para o câncer peritoneal depende de fatores como o estágio e o grau do câncer, o tamanho e sua localização. Idade e saúde geral do paciente também contam.

Os tratamentos para câncer peritoneal incluem:

  • Cirurgia – além de ajudar no diagnóstico, também pode remover tumores. Dependendo do que for encontrado, outros tecidos e órgãos podem ser removidos durante o procedimento – o cirurgião pode retirar as partes visíveis da doença e remover os ovários, as trompas de Falópio e o útero;
  • Quimioterapia – os medicamentos para o tratamento do câncer peritoneal são administrados por injeção a semanalmente ou a cada duas ou três semanas. Às vezes, a quimioterapia é administrada diretamente no abdômen por meio de um cateter colocado sob a pele durante a cirurgia. Isso é chamado de quimioterapia intraperitoneal;
  • Radioterapia – trata o câncer usando raios X de alta energia para destruir as células cancerosas. Apenas raramente se utiliza a radioterapia no tratamento de câncer primário de peritônio;
  • Terapia-alvo – pode ser usada em alguns casos, com medicamentos que têm como objetivo combater as células cancerosas sem prejudicar as células normais. Tais terapias direcionadas incluem os anticorpos monoclonais, que têm como alvo substâncias nas células cancerosas que promovem seu crescimento. Eles podem ser combinados com quimioterapia.

Prevenção

As causas do câncer de peritônio não estão bem definidas. O que se sabe é que, em alguns casos, ele se desenvolve porque células cancerosas de outros órgãos chegam à camada que reveste o abdômen por meio da corrente sanguínea e se multiplicam, dando origem ao tumor.

Fatores de risco que podem estar relacionados com o surgimento de câncer no peritônio em mulheres são uso de hormônios após a menopausa, presença de endometriose e obesidade.

Mulheres com risco de câncer de ovário também apresentam risco aumentado de câncer peritoneal. Isso é ainda mais provável se a paciente tiver as mutações genéticas BRCA1 e BRCA2. A idade avançada é outro fator de risco para câncer peritoneal.

Um fator evitável que aumenta o risco de tumores de peritônio é a exposição ao amianto (nome comercial do asbesto). Evitá-la, portanto, pode ser uma forma de prevenir a doença.

 

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