O que é o câncer de ovário
O câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais comum em mulheres, ficando atrás somente do câncer de colo de útero.
A maioria absoluta das neoplasias de ovário – 95% – é derivada das células epiteliais, ou seja, aquelas que revestem o ovário. Os outros 5% vêm de células germinativas (as que formam os óvulos) e de células estromais (as que produzem a maior parte dos hormônios femininos).
Trata-se do sétimo tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo, com cerca de 314 mil novas pacientes diagnosticadas com a doença por ano.
No Brasil, também ocupa a sétima posição entre as neoplasias mais incidentes no sexo feminino (excluídos os tumores de pele não melanoma). Para 2020, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) estimou 6.650 novos casos no país.
Subtipos do câncer de ovário
Estima-se que existam mais de 30 tipos de câncer de ovário. Eles são denominados de acordo com o tipo de células onde se originam. Os três principais grupos são:
- Carcinoma epitelial de ovário – vem da superfície do ovário (o epitélio) e é o subtipo mais comum. O câncer de tuba uterina e o câncer primário do peritônio estão incluídos neste grupo;
- Carcinoma de células germinativas de ovário – origina-se nas células reprodutivas ou germinativas dos ovários, ou seja, aquelas que dão origem aos óvulos;
- Carcinoma de células estromais de ovário – forma-se nas células do tecido conjuntivo.
Há também o carcinoma de pequenas células hipercalcêmico do ovário, que não se enquadra nos três grupos acima e é extremamente raro. Ainda não foi identificado em que tipo de células ele se origina.
Sintomas e sinais do câncer de ovário
O câncer de ovário é uma doença silenciosa e em seus estágios iniciais não costuma apresentar sintomas específicos. À medida que o tumor cresce, pode causar:
- Inchaço no abdômen;
- Dor no abdômen;
- Dores na região pélvica, nas costas ou nas pernas;
- Náuseas;
- Indigestão;
- Gases;
- Funcionamento anormal do intestino (prisão de ventre ou diarreia);
- Fadiga constante;
- Perda de apetite e de peso sem razão aparente;
- Sangramento vaginal anormal, especialmente depois da menopausa;
- Aumento na frequência e/ou na urgência de urinar.
Diagnóstico do câncer de ovário
Não existe um exame específico para o rastreamento do câncer de ovário (como o Papanicolau para câncer de colo de útero ou mamografia para câncer de mama). Por esta razão, e associado ao fato dos sintomas do câncer de ovário serem facilmente confundidos com outras doenças e condições de saúde menos graves, seu diagnóstico é realizado em fase avançada da doença.
Os sintomas combinados que despertam o sinal de alerta de especialistas são o inchaço e a dor no abdômen, a perda de apetite e de peso, a fadiga e a mudança no funcionamento do intestino e do trato urinário.
Diante desse quadro, serão realizados exame clínico ginecológico e exames laboratoriais e de imagem do abdômen (que ajudam a identificar a presença de ascite – ou acúmulo de líquidos – e a extensão da doença em mulheres com suspeita de disseminação intra-abdominal). Caso haja suspeita de câncer de ovário, é feita uma avaliação cirúrgica.
Também deve ser realizado exame de tórax (raio X ou tomografia computadorizada que auxilia na detecção de derrame pleural, presença de metástases pulmonares ou outras alterações).
Tratamento
O câncer de ovário pode ser tratado com cirurgia ou quimioterapia baseada em platina. A escolha depende do tipo de tumor, do estadiamento (estágio em que a doença se encontra), idade e condições clínicas da paciente e se o tumor é inicial ou recorrente.
Para estágios iniciais, a abordagem é a cirurgia com ou sem quimioterapia. Estágios avançados podem ser tratados com cirurgia seguida de quimioterapia, quimioterapia seguida de cirurgia ou quimioterapia exclusiva.
Prevenção
Para prevenir ou aumentar a chance de diagnosticar o câncer de ovário em estágio inicial, as mulheres devem estar atentas aos sintomas, especialmente caso vários se manifestem ao mesmo tempo, e aos fatores de risco, principalmente a partir dos 50 anos de idade.
Os fatores de risco para câncer de ovário são:
- Idade – quanto mais avançada a idade, maior a incidência de carcinoma epitelial de ovário;
- Fatores reprodutivos – mulheres que nunca tiveram filhos tendem a apresentar risco aumentado para câncer de ovário (por outro lado, as que tomam contraceptivos orais – pílula anticoncepcional – vêm esse risco diminuir);
- Fatores hormonais – menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos) e menopausa tardia (após os 52 anos) podem estar associadas ao maior risco de câncer de ovário;
- Histórico familiar – de cânceres de ovário, colorretal e de mama, especialmente em parentes de primeiro grau;
- Fatores genéticos – mutações em genes, como BRCA1 e BRCA2;
- Excesso de peso corporal.
Diante de desconfianças, a mulher deve ser avaliada por médico ginecologista, que procederá com os exames necessários para o seu caso.